Vamos dizer que você se sente desmotivado, perdido, sem objetivos, com dúvidas, não consegue descobrir sua paixão e não sabe ao certo qual é o propósito da sua vida.

Você está em boa companhia – a maioria das pessoas estão no mesmo barco.

Atualmente, tem um milhão de coisas online mostrando como encontrar a sua paixão, e isso é algo bacana. É uma busca que vale se submeter.

Hoje eu não vou te dar um método infalível, ou um passo a passo e nem compartilhar o meu manifesto sobre o propósito da minha vida.

Eu vou te dar um método de apenas um passo.

No entando, esse passo é um pouco fora da curva.

Como encontrar seu propósito

É simplesmente isso: aprenda a sair da sua bolha pessoal.

Sua bolha pessoal é o pequeno mundo que você vive dentro (todos nós temos um), é onde você é o centro do universo. Você está preocupado com o seu bem estar, sua imagem, seu sucesso e seus prazeres (boa comida, boa música, bom sexo, etc.).

Essa é a bolha que todos nós vivemos a maior parte do tempo e as pessoas que negam isso estão tentando provar algo.

Quando alguém diz que você está gordo, isso só machuca porque você está dentro da sua bolha. Você pega essa colocação (seu colega dizendo que você está gordo) e acredita que isso é sobre você, e acaba se sentindo terrível por isso. Isso importa muito porque, na sua bolha, o que mais conta é como tudo acaba te afetando pessoalmente.

Eu também sou desse jeito, bem como todas as outras pessoas.

Veja outros problemas causados por essa bolha pessoal:

Na nossa bolha, estamos preocupados com nosso prazer e conforto e tentamos não parecer desconfortáveis. Por conta disso não nos exercitamos e não comemos apenas alimentos saudáveis.

Esse medo do desconforto também nos leva a ficar ansiosos quando temos que conhecer estranhos. Isso dificulta a nossa vida social, a nossa vida amorosa.

Temos medo de falhar e queimar nosso filme. Assim, não encaramos coisas difíceis.

Procrastinamos por causa desse medo de falhar, por conta do medo do desconforto.

Quando alguém faz ou diz algo, olhamos para esse evento pensando em como ele nos afeta, e isso causa raiva, dor ou irritação

Esperamos que as pessoas tentem nos dar o que queremos, e quando eles não fazem isso nós ficamos frustrados ou nervosos.

De certo modo, grande parte dos nossos problemas são causados por conta dessa bolha.

Incluído a dificuldade em encontrar o propósito da nossa vida. Falarei mais sobre isso em um minuto – Eu te peço paciência aqui porque isso é importante.

O que acontece quando saímos da nossa Bolha

Se conseguirmos aprender a sair dessa bolha pessoal e ver as coisas de um ponto de vista menos centrado em nós mesmos, nós podemos notar algumas coisas incríveis:

Quando alguém diz ou faz algo, isso não é realmente sobre nós – é sobre a dor, medo ou confusão que eles estão sentindo, ou um desejo que eles tem.

Quanto temos uma vontade de um prazer imediato (TV, rede social, junk food, porno), nós podemos ver essa vontade como uma simples e passageira sensação física, e não o centro do universo.

Nós começamos a ver que nossos desejos pessoais são realmente coisas bem triviais e perceber que há mais na vida do que simplesmente tentar atender as nossas vontades e correr do nosso desconforto. Há mais coisas do que os nossos pequenos medos. Incluindo: a dor de outras pessoas e a compaixão por elas. Compaixão por todos os seres vivos. Querer tornar o mundo um lugar melhor.

Podemos ligar nossas ações diárias, como aprender algo sobre nossa mente, nosso corpo, nossos hábitos no trabalho, nossa saúde, criar algo, não apenas a satisfação dos nossos desejos e sucesso (coisas triviais) mas sim a como isso pode ajudar os outros, como isso ode tornar a vida dos outros melhor, como diminuir a carga ou o sofrimento das outras pessoas.

Nos tornamos menos autocentrados, e começamos a ter uma visão mais ampla das coisas. Tudo muda, desde abrir mão do medo, da raiva e da procrastinação até a mudar os nossos hábitos e encontrar um trabalho que importa.

Como isso tem a ver com encontrar o propósito da nossa vida? Vamos ver isso.

Uma visão Ampla e o propósito da nossa Vida

Uma vez que sairmos da nossa bolha e ver as coisas sob uma perspectiva mais ampla, começamos a percorrer um caminho assim:

Nós podemos começar a ver a necessidade dos outros e sentir a dor deles.

Nós então trabalhamos para tornar a vida deles melhor, e diminuir o sofrimento deles.

Mesmo que não sejamos bons nisso, nós podemos aprender habilidades que vão nos ajudar a ser melhor nisso. É a intenção que importa.

Quando se trata do nosso trabalho diário, podemos relacionar as nossas ações a um propósito maior. Aprender a programar ou ficar mais saudável (por exemplo) não é apenas sobre o nosso bem estar, mas também sobre o bem estar dos outros, mesmo que de uma maneira pequena. Isso nos dá motivação no dia a dia. Quando perdemos nossa motivação, precisamos sair da nossa bolha, rever nossa preocupação, desconforto e medos, e nos ligarmos a um propósito maior.

Nesse caminho, não importa quais são as ações específicas que você toma ou as habilidades que você aprende para tornar a vida dos outros melhor. A carreira que você escolhe não importa – o que importa é o propósito maior. Você sempre pode mudar de carreira e aprender novas habilidades mais tarde, assim como aprender novas maneiras de cumprir com esse propósito. Você vai aprender com o tempo.

Como sair da Bolha

Soa muito bem, mas sair dessa bolha pessoal não é tão fácil quanto dizer “Que assim seja”. Isso requer trabalho.

Primeiro, você tem que começar a perceber quando está preso nessa bolha. Sempre que estiver nervoso, frustrado, irritado, temeroso, ansioso, procrastinando, se sentindo machucado, desejando que as pessoas sejam diferentes… você está dentro da bolha. Esses são os sinais. Você está no centro do universo, e tudo está relacionado a você e aos seus sentimentos. Quando você não consegue seguir com um hábito, ou enfrenta momentos difíceis diante de uma dieta, você está dentro da bolha. Dentro dessa bolha, é o seu prazer momentâneo que importa. Fora dessa bolha, eles são apenas pequenos eventos (desejos, impulsos) que você pode abrir mão.

Segundo, quando perceber que está nessa bolha, expanda a sua mente e o seu coração. Veja o quadro maior. Sinta o que os outros devem estar sentindo. Tente entender ao invés de condenar. Veja o quão pequenos têm sido os seus medos e preocupações. Perceba que quando alguém te trata mão, não tem a ver com você, mas sobre o sofrimento que eles estão sentindo.

Terceiro, deseje o bem dos outros. Torça genuinamente pela felicidade dos outros, assim como você quer a sua própria felicidade. Veja o sofrimento deles e deseje que isso diminua.

Quarto, veja como você pode ajudar. Como você pode reduzir o sofrimento dos outros? Algumas vezes é apenas prestar atenção, apenas escutar. Em outros momentos, você só precisa estar lá, emprestar uma mão. Você não precisa sair por ai resolvendo os problemas de todo mundo – eles provavelmente não querem isso. Apenas esteja lá por eles. E veja se você pode tornar a vida deles melhor – crie algo que os faça sorrir. Faça parte do mundo deles – seja um momento de bondade.

Repita esse processo múltiplas vezes ao dia e você vai se tornar melhor nisso.

Você vai aprender a ser maior que si mesmo. Você aprenderá que a vida que temos é um presente, e que devemos fazer o melhor disso e não gastar nenhum segundo. Você vai aprender que não há nada mais satisfatório do que tornar a vida dos outros um pouco melhor.


Texto retirado do blog Zen Habits, escrito por Leo Babauta. Traduzido por Aécio Neto