Você já viveu alguma experiência que te mostrasse que você era completamente diferente daquilo que acreditava? Algum fato já jogou por terra o que você considerava ser verdade?

Ao longo do dia nós nos definimos várias vezes, é como se a gente tivesse uma caixinha cheia de etiquetas e fosse colando elas diante de cada acontecimento: quarto bagunçado? ‘Desorganizado’; pia cheia de pratos? ‘Preguiçoso’; ajudamos alguém? ‘Solidários’, e por aí vai.

O problema é que com o tempo as pessoas (eu e você) começam a se agarrar nessas etiquetas e acreditar nisso com unhas e dentes. E aí criamos um “Eu” meio que imutável, bem definido. O ponto é, até que ponto isso nos limita? Como mudar algo que consideramos ser parte da nossa personalidade?

Ora, questionando. Colocando em dúvida.

Descartes (aquele filósofo do “Sei que nada sei”), defendeu a tese de que a dúvida era o primeiro passo para se chegar ao conhecimento. O cara vivia em um mundo agitado por constantes conflitos religiosos e começou a perceber que os costumes, a cultura e a tradição influenciavam a forma como as pessoas veem e pensam naquilo que acreditam. Ele viajou muito e viu que sociedades diferentes têm crenças diferentes, mesmo contraditórias. Aquilo que numa região é tido por verdadeiro, é considerado ridículo, disparatado e falso em outros lugares.

Longa história curta, o maluco instituiu a dúvida e começou a questionar tudo, desde si próprio até Deus, de modo a conhecer as coisas de verdade. Fim.

E se a verdade não for verdade?

E se a verdade não for verdade?

Há algum tempo, caso alguém me perguntasse quais eram as minhas principais características, a minha primeira resposta certamente seria “Calmo”. Eu acreditava com todas as minhas forças que eu era muito calmo. No entanto, eu não era calmo p&ˆ%a nenhuma, era fácil eu perder a paciência e me irritar com as coisas. (isso não mudou muito)

A partir dessa tapa na cara experiência eu comecei a questionar o que eu acreditava. Tudo começou com um simples “E se”.

E se ao invés de achar que estou cansado eu levantar e arrumar o quarto?
E se ao invés de acreditar que é difícil eu simplesmente fazer isso e ver o que acontece?
E se ao invés de achar que sou tímido e conversar com essa pessoa?
E se ao invés de não gostar da minha escrita eu tentar diferentes estilos?
E se eu ir correr?
E se eu acreditar que posso?
E se eu souber que posso?

Esse simples “e se” é uma forma simples de abrir possibilidades e gerar ação. Não é o guia definitivo da produtividade, mas é uma forma interessante de brincar com o que acreditamos no dia a dia. É o começo para flexibilizar um pouco esse “eu” que tanto nos identificamos, além de ajudar a rir um pouco de nós mesmos.

E se esse e se…. opa, pera!

Qual a última vez que você descobriu que estava enganado sobre si mesmo, e o que você aprendeu com isso? Compartilhe conosco nos comentários.