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Pandemia e raiva

Ao longo dos últimos três meses, vivendo durante essa pandemia/coronavírus, tenho observado durante as conversas com todo mundo que conheço, é que, se há um novo normal, é o normal montanha russa emocional. 
 
Talvez você já tenha sentido isso, em um dia você se sente bem e vive a vida da melhor maneira. No dia seguinte, ou talvez no mesmo dia, você sente uma confusão emocional. O chão parece tremer, a vida não faz muito sentido. 
 
É uma montanha russa existencial. Será que estou vivendo direito? Sou uma boa pessoa? Um profissional competente? É possível colocar inúmeros questionamentos nesse parágrafo. Já me vi questionando tudo: rotina, relacionamentos, amizades, trabalho, carreira. 
 
Hoje, ouvi de uma pessoa: “até pq ficar desanimado não leva a gente a nada mesmo….”. 
 
Será? As decisões mais importantes que tomei foram durante dias de desânimo ou confusão. Como diria uma amiga minha: “sapo pula por necessidade”. Há dores que nos traz reflexões. Tomada de decisão. Mudança. 
 
Mas não comecei esse texto pra dizer “pegue essa dor e faça uma transformação”. O que me fez sentar e escrever foi um sentimento de raiva. Ontem eu me sentia fraco, e a partir desse sentimento miserável um loop desgraçado começou. 
 
Esse loop funciona assim: bate uma bad do nada e você se sente mal, seja sobre si mesmo, sobre a vida ou sobre o presidente. Em seguida, você se sente mal por se sentir mal. E isso se repete. É uma merda. 
 
Mas no fim do túnel, existe luz. É o metrô vindo te atropelar. Brincadeira. 
 
Esse último loop me fez parar um pouco e pensar sobre tudo que eu tinha pra fazer. O trabalho aqui é infinito. E eu não queria fazer nada. Já vivi isso milhares de vezes. O enredo é o mesmo: sei o que devo fazer, mas não faço. Sinto uma paralisia. 
 
Se eu fosse resumir toda a confusão daquele momento seria assim: é um desejo. Um desejo de aparecer alguém pra ajudar, de aparecer algo diferente pra fazer. Um desejo que grita: as coisas podiam ser diferentes. Eu queria me sentir bem. Eu odeio me sentir assim. Merda.
 
E é aqui, penso eu, que está o pulo do gato. Não é preciso se sentir bem pra fazer as coisas. Nossos sentimentos são importantes. E, ao mesmo tempo, eles são ruídos. Muitas vezes, os sentimentos são desnecessários. 
 
Papo de coach: talvez isso seja viver fora da zona de conforto. É possível que o conforto seja um sentimento de merda, que te paralisa, mas é confortável ficar ali. Já vivemos esse sentimento de merda mil vezes. Ele é um velho conhecido, chega a virar amigo. Mas é uma amizade que te paralisa. 
 
Aprender a fazer as coisas mesmo se sentindo desanimado, fraco ou cansado. Essa é uma habilidade que me parece valiosa. A vida adulta tem dessas coisas. Você vai lá e faz.
 
Eu poderia te dizer: “levanta e faz. Você consegue.”
 
Mas é difícil fazer o que não queremos fazer. É difícil pra caralho. Essa merda se chama disciplina. E disciplina é pra poucos. Não é pra você. 
 
Eu te desejo é raiva. 

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